Uso a escrita para limpar a minha alma. E digamos: como é que alguém que diz "eu não tenho sentimentos" consegue escrever tudo isto? Eu escrevo tudo o que sinto, tudo o que escondo, tudo aquilo que aflige o meu coração. Sim, o meu coração, aquele coração que eu digo não ter.Já dizia a minha irmã "tu tens sentimentos, não gostas é de os mostrar." Será? Será que eu sou assim? Vivo a esconder as emoções, vivo a fugir daquilo que corrói uma alma.
Aquilo que me mata por dentro eu escrevo. A minha caneta é o meu próprio desabafo. E coitado do papel, que tanto riscado é e que tanto amachucado e maltratado pelas minhas lágrimas é.
Escrevo.. passado uns meses volto a olhar para esse texto. E depois? O que será que acontece? Será que ainda sinto o mesmo? Será que me destrói as minhas próprias palavras que, ora são felizes e planeiam um futuro risonho como viram passado e tornam-se saudade?
Um escritor ou uma simples pessoa que escreve é traidor de si mesmo. Nunca rasga aquilo que escreve, mas passado uns dias, semanas, meses, anos vai reler, vai reviver novamente aquelas emoções. E pra quê? Ele já sabe que aquilo é passado. Ele diz às outras pessoas que é passado.. mas no seu intimo nunca deixou de ser presente.
Também eu já li textos de uns míseros meses ou anos atrás e pensei «porque não correu bem?» , «porque não deu uma única vez certo?» , «será que fiz algo de errado?»
Um escritor passa a vida a interrogar-se com o «porque?» Somos traidores da nossa própria alma.. fugimos dos sentimentos falados e refugia-mo-nos e revivemos, a cada dia que passa, aquilo que escrevemos.
Por vezes faz bem, é nostálgico, lava a alma, faz reflectir.
O que não nos mata, fortalece. E nós, quem escreve, gosta de viajar pelo seu intimo, gosta de pensar naquilo que esconde de todo o mundo, bastando pra isso ler algo de sua autoria..
«E porque será que eu escrevi aquilo?» Tu, que escreves, nunca te interrogaste de tal forma? Escreveste isso porque era o que sentias. E tu, apenas tu, que escreves, sabes que podes enganar todo mundo, mas a ti, ao teu coração tu nunca enganas.
Imagina agora.. imagina só .. imagina aqueles detectives policiais ou máquinas da verdade.. eles guiam uma pessoa a admitir a verdade, certo? Tu sabes que não precisas desse detective ou dessa misera máquina.. a caneta substitui-a na total perfeição.
JOANA SANTOS
29 de JULHO de 2013
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