Não aguentei. Tive de arriscar.
Já não resistia vê-lo todos os dias sem lhe poder dizer o que começava a
sentir. Aproximei-me dele sem hesitar e disse-lhe um simples: «Ola …» podia não
passar de uma palavra ou de uma simples forma de cumprimentar, mas para mim
significava um passo em frente, um dos passos que me ia levar até onde eu mais
desejava. Respondeu-me tal e qual da mesma forma, como se da boca dele também
não conseguisse sair mais nada: «Ola.». Desde então, todos os dias de manhã, me
dizia aquele “ola” que, para qualquer um, não significaria nada, mas que para
mim era o início do meu maior desejo- tê-lo perto de mim.
«Então … Acho que deveríamos ir
dar uma volta … Um dia destes.» - Disse-me ele, uma parte de mim congelou por
completo, não conseguindo pronunciar uma única palavra. A outra parte sentia-se
feliz, ansiosa por contar ao mundo todo o quão feliz estava por ter a pessoa de
quem mais gostava por perto. Tentei-me controlar e respondi da melhor forma que
os meus lábios deixaram: «Sim, claro.» No meio de um milhão de palavras, isto
foi a única coisa que me saiu.
Sempre que pensava nos seus olhos
castanhos e tentava imaginar os seus lábios nos meus, o meu coração disparava
como se fosse uma bomba prestes a explodir. Até que o dia chegou. Falamos …
Falamos … E falamos … Era como se todas as palavras do mundo tentassem afastar
os lábios dele dos meus, saindo disparadas, sem pararem. «Acho que tenho
necessidade de fazer algo …» - disse ele. Sem saber o que dizer, aproximei …
Ver os olhos dele da distância que sempre tinha desejado, sentir o toque dele
nas minhas faces rosadas, sentir os lábios dele parente os meus a beijarem-me
como se o amanhã não existisse. Relembro como se fosse hoje aqueles olhos
castanhos olhando os meus.
Sentia o desejo de o ter mais
próximo a crescer. Lia nos seus olhos o quão ele queria que eu o beija-se o
quão ele queria ficar assim comigo, para sempre. A necessidade que tinha de o
sentir era mais forte que todas as minhas forças juntas, como se houvesse um
íman entre nós que nos obrigava a ser só um. Eu gostava da ideia de sermos só
um. Sabia que nem tudo estava do nosso lado, mas não ia desistir. Aqueles olhos
castanhos não me deixavam desistir. O meu pensamento era só ele. O seu «Bom
dia.» passou a ser o meu despertador.
Ele era o meu Romeu e eu a sua
Julieta. Passaram dois meses e os seus beijos tornaram-se a minha Droga. Queria
consumi-la a toda a hora, queria que fizesse parte do meu presente e do meu
futuro. Até que, surgiu um «Amo-te» e as coisas mudaram. Não podia exigir muito
de uma criança que para mim era o meu adulto. Ele só queria diversão e ela um
mundo feliz. Ele não lhe retribui-o o «Amo-te» e ela, sem forças para lutar
mais, desistiu. Hoje passam um pelo outro e bocas de onde saíram «Adoro-te» ou
até mesmo «Não me deixes» não sai mais nada, nem o simples e comum «Ola.»
- MemóriasMorenas
PS: Este brilhante texto não foi escrito por mim!
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