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sábado, 22 de junho de 2013

Dream

 «Só espero que entre …», este era o meu desejo de todas as manhãs … Cada vez que ele entrava e nos entreolhávamos pelo canto do olho era como se na minha barriga habitassem milhões de borboletas. Aqueles olhos castanhos entrelaçavam-se nos meus criando uma barreira que só terminava com a paragem do autocarro. Ele fazia-me corar como se de um momento para o outro o sol tivesse a uns simples metros de mim …

Não aguentei. Tive de arriscar. Já não resistia vê-lo todos os dias sem lhe poder dizer o que começava a sentir. Aproximei-me dele sem hesitar e disse-lhe um simples: «Ola …» podia não passar de uma palavra ou de uma simples forma de cumprimentar, mas para mim significava um passo em frente, um dos passos que me ia levar até onde eu mais desejava. Respondeu-me tal e qual da mesma forma, como se da boca dele também não conseguisse sair mais nada: «Ola.». Desde então, todos os dias de manhã, me dizia aquele “ola” que, para qualquer um, não significaria nada, mas que para mim era o início do meu maior desejo- tê-lo perto de mim.

«Então … Acho que deveríamos ir dar uma volta … Um dia destes.» - Disse-me ele, uma parte de mim congelou por completo, não conseguindo pronunciar uma única palavra. A outra parte sentia-se feliz, ansiosa por contar ao mundo todo o quão feliz estava por ter a pessoa de quem mais gostava por perto. Tentei-me controlar e respondi da melhor forma que os meus lábios deixaram: «Sim, claro.» No meio de um milhão de palavras, isto foi a única coisa que me saiu.

Sempre que pensava nos seus olhos castanhos e tentava imaginar os seus lábios nos meus, o meu coração disparava como se fosse uma bomba prestes a explodir. Até que o dia chegou. Falamos … Falamos … E falamos … Era como se todas as palavras do mundo tentassem afastar os lábios dele dos meus, saindo disparadas, sem pararem. «Acho que tenho necessidade de fazer algo …» - disse ele. Sem saber o que dizer, aproximei … Ver os olhos dele da distância que sempre tinha desejado, sentir o toque dele nas minhas faces rosadas, sentir os lábios dele parente os meus a beijarem-me como se o amanhã não existisse. Relembro como se fosse hoje aqueles olhos castanhos olhando os meus.

Sentia o desejo de o ter mais próximo a crescer. Lia nos seus olhos o quão ele queria que eu o beija-se o quão ele queria ficar assim comigo, para sempre. A necessidade que tinha de o sentir era mais forte que todas as minhas forças juntas, como se houvesse um íman entre nós que nos obrigava a ser só um. Eu gostava da ideia de sermos só um. Sabia que nem tudo estava do nosso lado, mas não ia desistir. Aqueles olhos castanhos não me deixavam desistir. O meu pensamento era só ele. O seu «Bom dia.» passou a ser o meu despertador.

Ele era o meu Romeu e eu a sua Julieta. Passaram dois meses e os seus beijos tornaram-se a minha Droga. Queria consumi-la a toda a hora, queria que fizesse parte do meu presente e do meu futuro. Até que, surgiu um «Amo-te» e as coisas mudaram. Não podia exigir muito de uma criança que para mim era o meu adulto. Ele só queria diversão e ela um mundo feliz. Ele não lhe retribui-o o «Amo-te» e ela, sem forças para lutar mais, desistiu. Hoje passam um pelo outro e bocas de onde saíram «Adoro-te» ou até mesmo «Não me deixes» não sai mais nada, nem o simples e comum «Ola.»

- MemóriasMorenas

PS: Este brilhante texto não foi escrito por mim!

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